Recanto de Alberto Valença Lima
A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original. (Albert Einstein)
CapaCapa Meu DiárioMeu Diário TextosTextos ÁudiosÁudios E-booksE-books FotosFotos PerfilPerfil Livros à VendaLivros à Venda PrêmiosPrêmios Livro de VisitasLivro de Visitas ContatoContato LinksLinks
Textos

Um dia triste...
Por causa de três letras...

Por que tristeza? Estava tão feliz! Comecei o ano tão bem!
Viagens, realizações, presença, amigos... tudo era só felicidade. Até uma flor, tive bem perto de mim...
Tenho uma rosa, que longe vela por mim. "Mas isso não faz de mim um príncipe muito rico..." (Exupéry, 1964). Por quê? Tinha sido um início de ano tão lindo! E, no entanto, uma palavra, uma palavra com apenas três letras, caem todos os edifícios. Alguns até arranhacéus!
Por causa de uma palavra de três letras apenas...
Por longos meses, por anos intermináveis, sonhei com este momento, e sem avaliar o dano que provocara, ele diz uma palavra... de apenas três letras... NÃO! E tudo se destrói.
E isso não tem importância?
"É como se todas as estrelas se apagassem..." (ibidem)
De um ano pra cá, só sonhava, praticamente, com este momento: quando obteria minha carteira de habilitação. Na véspera do exame,  contava as horas e os minutos que faltavam. "Desde as três horas passava a ser feliz" (ibidem). No dia estava inquieto. "Descobrira o preço da felicidade". (ibidem). Sempre, desde sempre, sonhei com este dia. Via meus amigos, todos, com ou sem habilitação com um carro, que o pai lhes entregava confiante. Achava um absurdo que o meu também não fizesse o mesmo mas, não podia dizer nada. Sabia que ele estava certo. Talvez tenha sido mesmo bom ele não me permitir sair com o carro antes pois, se alguma coisa de ruim acontecesse, iria culpá-lo. Tinha ainda um consolo: um dos meus amigos também não podia sair com o carro pois não tinha habilitação. Hoje ele já tem a habilitação e o pai lhe permite sair com o carro para ir aonde quiser, desde que o carro  não esteja sendo solicitado para uma necessidade maior que a sua. Muito bem, ele agora tem o carro, habilitação e a confiança do pai.
Minha situação, em quase nada mudou à anterior.  Tenho habilitação, realizei um dos meus maiores sonhos mas, nem tenho o carro, nem a confiança do pai.
De que me serve então esta habilitação? De que me servem as horas que passei sonhando com esse momento? Poder dirigir um carro sem o perigo de ser flagrado sem habilitação, nem de ser multado e ter o carro apreendido.
Tenho a habilitação, mas de que me serve ela?
Tudo foi inútil. Minhas aspirações, meus desejos... as horas que perdi pensando e ansiando esse momento, hoje são inúteis.
E tudo por causa de uma palavrinha de três letras...
Referências:
- EXUPÉRY, Antoine de Saint. O pequeno príncipe, 11ª ed., Agir, SP, 1964.

Este texto foi escrito poucos dias após eu completar 18 anos, idade em que era possível fazer o exame para solicitar a habilitação.
Meu pai teve razão, na época, em não me permitir sair com o carro. Eu era muito irresponsável. Não merecia realmente confiança.
Compartilho este texto com vocês, pois alguém pode ter seus 17 ou 18 anos e estar vivenciando algo semelhante. E, mesmo que não, ele é um dos meus retalhos que aqui vou juntando devagar.
Completar 18 anos,, nem sempre significa, ganhar responsabilidade. Esta, vem aos poucos, com a maturidade. E um carro nas mãos de um irresponsável, é uma arma.

Alberto Valença Lima
Enviado por Alberto Valença Lima em 19/02/2014
Copyright © 2014. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Caminhos de mim R$10,00
Caminhos de mim (Poesia) R$38,50
Poesia, Palavra é Arte R$30,00
Musas de um Recanto com Letras, Flores e Poes... R$10,00
UBE - 60 ANOS R$20,00
Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneo... R$35,00
Os mais belos poemas de amor - Edição especia... 40,00
Antologia "Poesias sem fronteiras" (Esgotado) R$20,00