Recanto de Alberto Valença Lima
A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original. (Albert Einstein)
CapaCapa Meu DiárioMeu Diário TextosTextos ÁudiosÁudios E-booksE-books FotosFotos PerfilPerfil Livros à VendaLivros à Venda PrêmiosPrêmios Livro de VisitasLivro de Visitas ContatoContato LinksLinks
Textos


Jardim de inverno - Pablo Neruda

RESENHA PARA JARDIM DE INVERNO DE PABLO NERUDA

Neruda foi um poeta chileno cujo nome era Ricardo Eliécer Neftali Reyes Basoalto. Foi cônsul do Chile e da Espanha no México. Recebeu em 1971 o prêmio Nobel de Literatura. Publicou mais de 30 obras ao longo de sua carreira, sendo considerado um dos maiores poetsa do século passado.

Jardim de Inverno é uma das obras póstumas do autor, sendo composto por vinte poemas criados entre 1971 e 1973, ano em que ele morreu aos 69 anos. Morreu 12 dias após o golpe militar que depôs o presidente eleito Salvador Alliende, amigo pessoal do poeta. Ele que já vinha doente, não suportou a tristeza de ver o seu país violentado pela fúria de um general que trouxe ao Chile muita destruição.

O pseudônimo Pablo Neruda, adotado em 1920, foi uma homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda (1834 - 1891)

Jardim de inverno apresenta um Pablo Neruda bem diferente das suas fases anteriores, onde ele foi um combativo lutador pela liberdade e pelo socialismo, apesar do contrassenso. Podem ser reconhecidas em sua vida três fases distintas: uma de poeta lírico e angustiado, outra política e atuante e uma final, introspectiva e reflexiva sobre o seu final que sabia estar próximo.

Em um de seus poemas que não está neste livro - Final - o poeta faz uma belíssima declaração de amor à sua constante companheira nos seus últimos anos de vida - Matilde. Diz ele:

"Fue tan bello vivir
cuando vivías!" (Pablo Neruda in "Final")

Para ilustrar esta resenha, trnascrevo a seguir o poema cujo título denominou o livro com sua tradução logo a seguir.

Jardim de inverno - Pablo Neruda

"Llega el invierno. Espléndido dictado
me dan las lentas hojas
vestidas de silencio y amarillo.

Soy un libro de nieve,
una espaciosa mano, una pradera,
un círculo que espera,
pertenezco a la tierra y a su invierno.
Creció el rumor del mundo en el follaje,
ardió después el trigo constelado
por flores rojas como quemaduras,
luego llegó el otoño a establecer
la escritura del vino:
todo pasó, fue cielo pasajero
la copa del estío,
y se apagó la nube navegante.

Yo esperé en el balcón, tan enlutado
como ayer con las yedras de mi infancia,
que la tierra extendiera
sus alas en mi amor deshabitado.
Yo supe que la rosa caería
y el hueso del durazno transitorio
volvería a dormir y a germinar:
y me embriagué con la copa del aire
hasta que todo el mar se hizo nocturno
y el arrebol se convirtió en ceniza.

La tierra vive ahora
tranquilizando su interrogatorio,
extendida la piel de su silencio.
Yo vuelvo a ser ahora
el taciturno que llegó de lejos
envuelto en lluvia fría y en campanas:
debo a la muerte pura de la tierra
la voluntad de mis germinaciones."

Pablo Neruda
(“Jardín de Invierno”, Buenos Aires, 1974)
 
*******

T R A D U Ç Ã O

Jardim de inverno

"Chega o inverno. Um esplêndido ditado
dão-me as lentas folhas
vestidas de silêncio e de amarelo.

Sou um livro de neve,
uma larga mão, uma pradaria,
um círculo que espera,
que assim pertenço à terra e a seu inverno.

Cresceu o rumor do mundo na folhagem,
ardeu depois o trigo constelado
por flores rubras como queimaduras,
logo chegou o outono estabelecendo
a escritura de vinho:
e tudo passou, foi céu passageiro
a taça do estio,
e se apagou a nuvem navegante.

Eu esperei no balcão, tão enlutado
como ontem nas heras da minha infância,
que a terra estendera
suas asas no meu amor desabitado.

Eu soube que a rosa feneceria
e este caroço do transitório pêssego
voltaria para dormir, germinar:
e me embebedei com a taça do ar
até que todo o mar se fez noturno
e o amanhecer foi convertido em cinza.

Vive a terra agora
tranquilizando o seu interrogatório,
estendida a pele do seu silêncio.
Volto a ser agora
o taciturno que chegou de longe
envolto em chuva fria e pelos sinos:
devo para a pura morte da terra
a intenção das minhas germinações."

(Pablo Neruda)
Alberto Valença Lima e Pablo Neruda
Enviado por Alberto Valença Lima em 18/04/2018
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Caminhos de mim R$10,00
Caminhos de mim (Poesia) R$38,50
Poesia, Palavra é Arte R$30,00
Musas de um Recanto com Letras, Flores e Poes... R$10,00
UBE - 60 ANOS R$20,00
Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneo... R$35,00
Os mais belos poemas de amor - Edição especia... 40,00
Antologia "Poesias sem fronteiras" (Esgotado) R$20,00